PROVISÓRIO

Divagações e delirios

Archive for the ‘Ensaios’ Category

Ensaio

Posted by provisorio em Novembro 12, 2006

Não sei escrever!

Não sei escrever para dizer o que me vai na alma.

Para nas palavras que junto e agrupo, saber olhar a indiferença e ausência.

Não sei escrever!

Não sei escrever para contar o que me vai no ser.

Para na alegria das horas, saber olhar o sorriso brilhante dos olhos de uma criança feliz.

Para na solidão do tempo saber estar só, sem que a ausência se torne pesada e triste.

Não sei escrever!

Não sei escrever para saber quem sou.

Para que das letras que me saiem da pena, veja e sinta o olhar cândido e terno de quem luta e vive.

Para nas curvas da vida, olhar a ânsia e desespero de quem almeja e não alcança.

Para na esperança dos minutos saber olhar mais além, e sentir que a hora chegará.

Não sei escrever!

Mas sei, que um dia vou saber!

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O caminhante

Posted by provisorio em Novembro 11, 2006

Um caminhante, depois de percorrer determinado troço de estrada encontra um pastor sentado numa pedra e pergunta-lhe:

-Amigo, quanto tempo levarei a chegar ao povoado mais próximo?

-Levantando os olhos, o pastor apenas responde: Ande!

Não percebendo a resposta, o caminhante repete a pergunta; novamente o pastor responde: Ande!

Irritado, o caminhante, continuando sem perceber, repete aos gritos a pergunta e obtem a mesma calma resposta: Ande!

Sem mais dizer, e insinuando que o pastor seria demente, pôs-se a caminho.   Após andar 15 metros o pastor, diz-lhe:

-2 horas.

Voltando atrás, o caminhante perguntou: Porque não me disse isso quando perguntei á pouco?

Amigo -diz o pastor- para calcular o tempo que levaria até ao próximo povoado, precisava de ver como anda.

Na  maioria dos nossos momentos, e hoje mais que nunca, queremos atingir  objectivos sem nos darmos conta de que  para os concretizar será necessário avaliarmos as nossas capacidades e os meios de que poderemos dispôr.  Ou não será??  

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O Forasteiro

Posted by provisorio em Novembro 4, 2006

Chegou! Finalmente chegou!

Sozinho, um tanto confuso pois da sinaletica do aeroporto apenas entendia o que o seu parco inglês permitia. Tinha deixado a sua terra natal em busca de um futuro melhor, na esperança de aqui o  encontrar. Tinha deixado na sua terra natal a sua familia, os seus amigos, enfim o seu pequeno mundo.

Com ele trazia apenas um saco de viagem apenas com algum vestuário e pouco mais. Trazia tambem na memória os problemas que tinha deixado para trás, quando partiu  em busca da sua solução. Não fosse o vigor e determinação dos seus 27 anos, teria voltado para trás. Mas não podia. De onde veio esperavam dele, a concetização de sonhos. Sonhos vários. 

Saiu para a rua e tudo lhe era estranho.  A pé dirigiu-se ao centro da cidade. Tinha que arranjar onde ficar. Não conhecia ninguem. Por fim lá se aninhou numa qualquer pensão e dormiu aquela noite.

Acordou cedo. Bem cedo. Tinha que arranjar trabalho. O que fosse mas tinha que arranjar. Passou-se um dia, e outro, e outro, e nada. Não poderia continuar assim. Os poucos trocos que trazia na algibeira acabariam depressa. Continuou a sua busca e por fim lá encontrou onde trabalhar. Nas obras. Pagavam-lhe pouco, mas sempre era alguma coisa até encontar algo melhor. Trabalhava muito. As tarefas mais pesadas eram-lhe confiadas. Ele era o pau para toda a obra. Se para cá veio, tinha que aguentar! diziam-lhe. Se não estivesse bem que voltasse para de onde tinha vindo! E asim foi seguindo, com persistencia e determinação, e, sobretudo muito suor e algumas lágrimas. Essas deixa-as correr na solidão da sua casa/quarto. Consola-o o facto de que a sua família passou a estar um pouco melhor. Quem sabe um dia a pode mandar vir…….

Ironias da vida parece-me.

Hoje histórias de forasteiros similares, enchem este pais. Eles chegam de todo o lado. Encontram cá alguma hospitalidade. Pouca.

Há algumas décadas atrás histórias destas existiam. E muitas tambem. Mas no sentido inverso. Eramos nós os forasteiros. Eramos nós que íamos fazer o trabalho indesejado. Eramos nós quem vivia os dramas dos forasteiros. Será que o desrespeito por quem hoje aqui chega, era o mesmo para quem há decadas daqui partia? Provavelmente era. E era desagradavel, triste e injusto.

Mas nós fazemos os mesmo.

Fiquem bem 

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A côr dos dias

Posted by provisorio em Novembro 2, 2006

Hoje deu-me para reparar na côr dos dias. Dei-me conta então (sendo essa conta uma verdade de La Palice) que os dias, conseguem ter diversas cores de diversas tonalidades tal arco-iris no final da chuva.

Teremos pois dias coloridos de tons e tonalidades alegres, e dias em que toda a côr se resume a tonalidades de cinzento a quase negro. Conota-se a meu ver essa diversidade de cores e tonalidades, ao estado de espirito mais ou menos denso, com que nos encontramos quando abrimos os olhos depois de uma noite ou dia, dependendo das circuntâcias, bem ou mal dormida. No entanto, e com o avançar do dia, por vezes as cores tomarão cambiantes conforme se vai ou não tropeçando pelas horas e minutos da jornada, ou conforme tambem o tecto celestial se vai cambiando ao longo das cores pelas quais se  entende vestir.

Parece-me estar a significar, que o periodo diário, na sua natural rotina, se desenvolve em paralelo com o mesmo periodo de quem  abriu os olhos ou despertou do seu diário sono. No entanto, se se tentar perceber a côr dos dias, verificar-se-á, que não será tão bem assim; Cada um, tal como a natural rotina do dia, terá a sua rotina ou não, e colorirá o seu dia, da forma como reagirá aos eventuais tropeções e oscilações da jornada.

Então, poderá dizer-se que cada um, conseguirá se quiser com algum esforço e eventual capacidade colorir o seu dia quase a seu belo prazer, colorindo cada momento da côr que mais lhe agradar. Por vezes. e dependendo das circunstâcias, não se consegue atigir a tonalidade pretendida, ou porque falta a força ou ânimo, ou porque simplesmente não se despertou com vontade de colorir. Ai, dir-se-á que o dia por si só tomou esta ou aquela côr.

Fiquem bem

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