Torga
Publicado por provisorio em Dezembro 6, 2006
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria…
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
(Miguel Torga)
elisabetecunha disse
Maravilhoso!!! perfeito!
um bj!
rocketgirl disse
Lindo… profundo…
Sonia+Monteiro disse
Gosto muito do Miguel Torga. Para nao ficarem a pensar que ‘e tanga: li todos os seus diarios. Gosto muito de Miguel Torga. Mas volto a dizer o que disse na altura ‘a prof. de Portugues: “‘as vezes so me apetecia puxar-lhe as orelhas e dizer-lhe que nao tem de ser assim.”
O mesmo para este poema: sabe-me a tudo menos ‘a paz que ele diz ter encontrado…e assim, vejo-me obrigada a premiar o outro, aquele das “lunetas”, o Pessoa, que diz muito ao seu jeito de homem confuso e desesperadamente confundido:”o poeta ‘e um fingidor…”