PROVISÓRIO

Divagações e delirios

Arquivos para Novembro 4th, 2006

História de Portugal (Ultra Condensada)

Publicado por provisorio em Novembro 4, 2006

Um amigo mandou-me este escrito. No minimo engraçado

Obrigado Zé Manel

……………..

 Tudo começou com um tal Henriques que não se dava bem com a mãe e acabou por se
vingar na pandilha de mauritanos que vivia do outro lado do Tejo. Para piorar
ainda mais as coisas, decidiu casar com uma espanhola qualquer e não teve muito
tempo para lhe desfrutar do salero porque a tipa apanhou uma camada de peste
negra e morreu.

Pouco tempo depois, o fulano, que por acaso era rei, bateu também as botas e foi
desta para melhor. Para a coisa não ficar completamente entregue à bicharada,
apareceu um tal João que, ajudado por um amigo de longa data que era afoito para
a porrada, conseguiu pôr os espanhóis a enformar pão e ainda arranjou uns trocos
para comprar uns barcos ao filho que era dado aos desportos náuticos. De tal
maneira que decidiu pôr os barcos a render e inaugurou o primeiro cruzeiro
marítimo entre Lisboa e o Japão com escalas no Funchal, Salvador, Luanda,
Maputo, Ormuz, Calecute, Malaca, Timor e Macau.

Quando a coisa deu para o torto, ficou nas lonas só com um pacote de pimenta
para recordação e resolveu ir afogar as mágoas, provocando a malta de
Alcácer-Quibir para uma cena de estalo. Felizmente, tinha um primo, o Filipe,
que não se importou de tomar conta do estaminé até chegar outro João que
enriqueceu com o pilim que uma tia lhe mandava do Brasil e acabou por gastar
tudo em conventos e aquedutos. Com conventos a mais e dinheiro menos, as coisas
lá se iam aguentando até começar tudo a abanar numa manhã de Novembro. Muita
coisa se partiu. Mas sem gravidade porque, passado pouco tempo, já estava tudo
arranjado outra vez, graças a um mânfio chamado Sebastião que tinha jeito para o
bricolage e não era mau tipo apesar das perucas um bocado amaricadas.

Foi por essa altura que o Napoleão bateu à porta a perguntar se o Pedro podia
vir brincar e o irmão mais novo, o Miguel, teve uma crise de ciúmes e tratou de
armar confusão que só acabou quando levou um valente puxão de orelhas do mano
que já ia a caminho do Brasil para tratar de uns negócios. A malta começou a
votar mas as coisas não melhoraram grande coisa e foi por isso que um Carlos
anafado levou um tiro nos coiratos quando passeava de carroça pelo Terreiro do
Paço. O pessoal assustou-se com o barulho e escondeu-se num buraco na Flandres
onde continuaram a ouvir tiros mas apontados a eles e disparados por alemães. Ao
intervalo, já perdiam por muitos mas o desafio não chegou ao fim porque uma tipa
vestida de branco apareceu a flutuar por cima de uma azinheira e três pastores
deram primeiro em doidos, depois em mortos e mais tarde em beatos. Se não fosse
por um velhote das Beiras, a confusão tinha continuado mas, felizmente, não
continuou e Angola continuava a ser nossa mesmo que andassem para aí a espalhar
boatos. Comunistas dum camandro! Tanto insistiram que o velhote se mandou do
cadeirão abaixo e houve rebaldaria tamanha que foi preciso pôr um chaimite e um
molho de cravos em cima do assunto. Depois parece que houve um Mário qualquer
que assinou um papel que nos pôs na Europa e ainda teve tempo para transformar
uma lixeira numa exposição mundial e mamar duas secas da Grécia na final.

E o Cavaco?

O Cavaco foi com o Pai Natal e o palhaço no comboio ao circo.

FIM

………….

Fiquem bem

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Nascidos antes de 1980

Publicado por provisorio em Novembro 4, 2006

De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos
anos 60  e 70 não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas
de bebé eram pintadas com cores bonitas em tinta à base de chumbo que nós muitas
vezes lambíamos e mordíamos. Não tínhamos frascos de medicamento com tampas “à
prova de crianças” ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas.
Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes.

Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags – viajar à
frente era um bónus. Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e
sabia bem. Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com
açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora.
Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.

Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande
velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de
montar uns travões. Depois de acabarmos num silvado aprendíamos.

Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa
antes de escurecer. Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.
Não tínhamos Play Station, X Box. Nada de 40 canais de televisão, filmes de
vídeo, home cinema, telemóveis, computadores, DVD, Chat na Internet. Tínhamos
amigos – se os quiséssemos encontrar íamos à rua.

Jogávamos ao elástico e à barra e a bola até doía! Caíamos das árvores,
cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal.

Havia lutas com punhos mas sem sermos processados. Batíamos às portas de
vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.

Íamos a pé para casa dos amigos. Acreditem ou não íamos a pé para a escola; não
esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem. Criávamos jogos com paus e bolas.
Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem, eles estavam
do lado da lei. Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de
sempre. Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.
Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar
com tudo.

És um deles? Parabéns!

Tivemos a sorte de crescer como verdadeiras crianças, antes dos advogados e governos

regularem as nossas vidas, “para nosso bem”. Para todos os outros que não têm idade suficiente

pensei que gostassem de ler acerca de nós.

Isto meus amigos é surpreendentemente medonho … e talvez ponha um sorriso nos vossos lábios:

A maioria dos estudantes que estão nas universidades hoje nasceram em 1986…
chamam-se jovens. Nunca ouviram “We Are The World” e “Uptown Girl” conhecem de
Westlife e não de Billy Joel. Nunca ouviram falar de Rick Astley, Bananarama ou
Belinda Carlisle. Para eles sempre houve uma Alemanha e um Vietname. A SIDA
sempre existiu. Os CD’s sempre existiram. O Michael Jackson sempre foi branco.

Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele
gordo fosse um dia deus da dança. Acreditam que Missão impossível e Anjos de
Charlie são filmes do ano passado. Não conseguem imaginar a vida sem
computadores. Não acreditam que houve televisão a preto e branco.

Agora vamos ver se estamos a ficar velhos:

1.. Entendes o que está escrito acima e sorris,
2.. Precisas de dormir mais depois de uma noitada.
3.. Os teus amigos estão casados ou a casar,
4.. Surpreende-te ver crianças tão à vontade com computadores,
5.. Abanas a cabeça ao ver adolescentes com telemóveis,
6.. Lembras-te da Gabriela (a primeira vez),
7.. Encontras amigos e falas dos bons velhos tempos,
 

Fiquem bem

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O Forasteiro

Publicado por provisorio em Novembro 4, 2006

Chegou! Finalmente chegou!

Sozinho, um tanto confuso pois da sinaletica do aeroporto apenas entendia o que o seu parco inglês permitia. Tinha deixado a sua terra natal em busca de um futuro melhor, na esperança de aqui o  encontrar. Tinha deixado na sua terra natal a sua familia, os seus amigos, enfim o seu pequeno mundo.

Com ele trazia apenas um saco de viagem apenas com algum vestuário e pouco mais. Trazia tambem na memória os problemas que tinha deixado para trás, quando partiu  em busca da sua solução. Não fosse o vigor e determinação dos seus 27 anos, teria voltado para trás. Mas não podia. De onde veio esperavam dele, a concetização de sonhos. Sonhos vários. 

Saiu para a rua e tudo lhe era estranho.  A pé dirigiu-se ao centro da cidade. Tinha que arranjar onde ficar. Não conhecia ninguem. Por fim lá se aninhou numa qualquer pensão e dormiu aquela noite.

Acordou cedo. Bem cedo. Tinha que arranjar trabalho. O que fosse mas tinha que arranjar. Passou-se um dia, e outro, e outro, e nada. Não poderia continuar assim. Os poucos trocos que trazia na algibeira acabariam depressa. Continuou a sua busca e por fim lá encontrou onde trabalhar. Nas obras. Pagavam-lhe pouco, mas sempre era alguma coisa até encontar algo melhor. Trabalhava muito. As tarefas mais pesadas eram-lhe confiadas. Ele era o pau para toda a obra. Se para cá veio, tinha que aguentar! diziam-lhe. Se não estivesse bem que voltasse para de onde tinha vindo! E asim foi seguindo, com persistencia e determinação, e, sobretudo muito suor e algumas lágrimas. Essas deixa-as correr na solidão da sua casa/quarto. Consola-o o facto de que a sua família passou a estar um pouco melhor. Quem sabe um dia a pode mandar vir…….

Ironias da vida parece-me.

Hoje histórias de forasteiros similares, enchem este pais. Eles chegam de todo o lado. Encontram cá alguma hospitalidade. Pouca.

Há algumas décadas atrás histórias destas existiam. E muitas tambem. Mas no sentido inverso. Eramos nós os forasteiros. Eramos nós que íamos fazer o trabalho indesejado. Eramos nós quem vivia os dramas dos forasteiros. Será que o desrespeito por quem hoje aqui chega, era o mesmo para quem há decadas daqui partia? Provavelmente era. E era desagradavel, triste e injusto.

Mas nós fazemos os mesmo.

Fiquem bem 

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