A ideia deste tipo de história de continuação não é minha. Teve-a a autora do Amorizade ai há um ano e meio, com uma história de um gato. De facto a Jacky tinha razão: A história iria ser quebrada porque as pessoas perdem o interesse ao fim de algum tempo, e não a continuam. Lembrei-me de repetir a ideia, esperando que lhe dêem alguma continuidade conforme a vossa imaginação e disposição. Vou escrever um trecho e quem quizer acrescente outro. Depois interliga-los-ei. Espero que não te importes de copiar a tua ideia Jacky.
Ai vai:
Camavam-lhe “a gaja”. Em surdina claro, porque não tinham a coragem e frontalidade de lho chamar na cara. Chamavam-lhe ” a gaja”, quando ela passava pelos corredores do Centro Comercial onde trabalhava como balconista de uma loja de pronto a vestir. “Lá vai a gaja” diziam, e ela sabia. Não percebia porquê. Foi para lá trabalhar havia pouco tempo e ainda pouca gente a conhecia. Certo é, que era um tanto tímida, mas achava que esse não seria o motivo.
Clara, era o seu nome, era uma mulher bonita, vistosa e simples, como era simples o seu trajar, embora de acordo com a moda actual. Porquê ” a gaja”? Não que isso lhe tirasse o sono, mas no fundo incomodava-a. Certo dia, e ainda hoje quando pensava no assunto, não saberia se tinha encontrado coragem ou se a coragem a tinha encontrado a ela, Clara decidiu que os sussuros que ouvia teriam de terminar. Questionava-se porque pré-julgam e rotulam as pessoas, sem ao menos tentarem as conhecer.
Tinha jeito para a escrita. Compunha pequenos poemas com palavras que se soltavam do seu pensamentos para o papel. Escreveu em pequenos pedaços de papel reciclado poemas. Poemas sobre si, sobre a vida, sobre o quando é importante sorrir.
No dia seguinte, chegou cedo e por baixo das portas ainda fechadas de cada loja deixou envelopes azuis. Dentro de cada envelope, além de um poema, escrevera um conjunto de instruções. O texto era simples e idêntico em todos os sobrescritos:
” Parabéns. Este é o primeiro de três envelopes que podem passar pelas suas mãos. Antes que se decida a
atirá-lo para o balde do lixo, deixe-me dizer-lhe que fazer isso servirá apenas para dificultar a sua tarefa. E qual é essa tarefa?
Muito simples: vai ter de descobrir quem sou eu.
Onde estou, como faço chegar estas linhas até si ou se sou homem ou mulher são
dúvidas que só vai descobrir quando nos encontrarmos frente a frente.
E antes que faça a pergunta… adianto-lhe a resposta: porque não?
Existem apenas duas regras que serão válidas até ao fim deste (chamemos-lhe) jogo:
Primeira: Este envelope é apenas para os seus olhos. Caso fale dele a mais alguém o jogo acaba para si.
Segunda: Nada é impossível.
Boa sorte com o poema.
G.”
Sabia que a partir daquele dia nada seria como dantes. Apesar disso, deixou que o relógio avançasse até à hora do centro comercial abrir para, comonum outro qualquer dia, abrir também a porta da loja onde trabalhava.
No fundo , Clara tinha ficado muito curiosa com a reação que as pessoas teriam ao receber os seus envelopes azuis. O que ela não imaginava era que esses envelopes azuis, iriam mudar completamente a sua vida.
Ricardo era um belo rapaz recém formado em Administração de Empresa, nasceu e cresceu em São Paulo – Brasil, os seus parentes eram na maioria portugueses , como não estava encontrando uma oportunidade de emprego no Brasil, decidiu aceitar a proposta de seu tio Nelson ( um rico comerciante) para administrar uma Loja de Sapatos no Centro Comercial . Como a proposta era boa e seu espírito era aventureiro, resolveu aceitar e tentar uma vida melhor em Terras Lusitanas ( Como tantos outros brasileiros) . Seria um grande desafio, seria um novo começo de vida.
Como o destino sempre apronta surpresas, justamente naquele dia Ricardo ficou com a tarefa de abrir a Loja de Sapatos. Quando abriu a loja , seus olhos se direcionaram justamente para o envelope azul jogado no chão. Sem pensar, intuitivamente abriu apressadamente o envelope azul, leu atentamente cada palavra e inexplicavelmente ficou totalmente fascinado pela singeleza do poema, pelo desafio do jogo proposto e principalmente pelo perfume de lavanda que emanava do envelope azul , algo nele dizia que algo muito bonito aconteceria na sua vida.
Mas Ricardo, apesar da alegria de ter recebido tal promessa de um encontro, ficou intrigado e admirado, quem poderia conhecer ou querer conhecê-lo e porquê ele, o destinatário do envelope azul. Logo ele, um recém chegado aquelas galerias comerciais deste Portugal desconhecido.
A duvida dissipou-se quando mais uma vez releu aquele poema enperfumado em Lavanda, inspirador e muito misterioso. Aquelas palavras todas conjugadas faziam-lhe lembrar aqueles mapas das histórias dos piratas das Caraibas onde o X assinala o local do Tesouro. Seria ele, o afortunado que bastava seguir as pistas da felicidade ou era apenas um acaso …!?
De uma coisa tinha a certeza absoluta, aquelas palavras eram femininas e aquele jogo azul levavam-o ao encontro de uma mulher encantadora e cheia de charme. Depois de uma leitura mais pormenorizada, saltou-lhe á vista, duas palavras chave no seu poema, nove badaladas e porta de chegada. O que poderia significar …!?
Acrescentaram: pensamentossoltos, opicadordegelo ,Encanto, Um sonho chamado Matilde
Continuem por favor
Fiquem bem